BOEING YAL-1A AIRBORNE LASER


BOEING YAL-1A AIRBORNE LASER. Radicalizando a guerra anti missil

O ESFORÇO ANTIMISSIL
Os Estados Unidos são, de longe, o país que mais investe em pesquisa e desenvolvimento de armamentos no mundo. A maioria das tecnologias revolucionarias no campo militar dos últimos 40 anos foram inventados ou desenvolvidos por eles. Na área aeroespacial, especificamente, os Estados Unidos demonstram uma fertilidade espantosa com criações sempre revolucionarias.
Atualmente as principais mentes da ciência, da industria e centros de pesquisa, dos Estados Unidos estão envolvidos no desenvolvimento de um sistema antimíssil que proteja o território continental norte americano e de seus aliados estratégicos de ataques com mísseis balísticos. Estas armas começam a se proliferar em nações subdesenvolvidas como o Irã e Coréia do Norte e que tem uma certa instabilidade em seus relacionamentos internacionais. Considerando a postura antiamericana, cada vez mais comum no mundo, e principalmente nesses países ditatoriais, o programa antimíssil, levado a cabo pelo departamento de defesa dos Estados Unidos, acaba justificando cada centavo investido nele.
O sistema antimíssil é composto por varias soluções, como o uso de mísseis antibalisticos, que interceptariam as ogivas na fase final do ataque, ou o uso de armas de energia dirigida, como um canhão de raio laser, por exemplo. Essa ultima opção parece ficção cientifica? Pois bem, já não é mais! A Boeing Company, famosa fabricante de aviões comerciais iniciou os testes de vôo de uma versão de seu consagrado jato comercial 747-400F Jumbo, especialmente modificado para transportar e disparar um dos mais poderosos canhões de raios laser já desenvolvido pelo homem, o COIL (Chemical Oxigen Iodine Laser).
Acima: Esta concepção artística mostra o momento do disparo do laser COIL. Notem que a torre e seu canhão são totalmente moveis.
O sistema COIL possui uma complexidade proporcional a seu enorme tamanho, sendo esse o motivo de se ter escolhido um dos maiores aviões do mundo para poder operar este super sistema. Todo o interior do gigante Jumbo 747 foi utilizado na instalação deste potente canhão laser. O sistema do canhão possui seis módulos, sendo cada um pesando 3 toneladas e com dimensões que se aproximam de um carro utilitário.
O programa se iniciou em 1996 quando a Força aérea dos Estados Unidos (USAF) assinou um contrato de desenvolvimento do sistema chamado Airborne Laser (ABL) com a Boeing que forneceu o avião e a integração do sistema na aeronave que foi batizada de YAL-1A. Esta por sua vez, subcontratou duas outras empresas para fornecer partes importantes do sistema sendo a Northrop Grumman, fornecedora do canhão de laser COIL, e a Lockheed Martin, fornecedora do sistema de controle de tiro e a torreta onde fica a lente do canhão. Essas três empresas representam as maiores industrias de defesa dos Estados Unidos em um esforço enorme para desenvolver um dos mais sofisticados sistemas de armas de todos os tempos.
Acima: O espelho do canhão laser COIL montado no bico do YAL-1A voltado para o fotógrafo. Este canhão é uma das mais impressionantes armas já construídas e tem um potencial de aplicação contra outros tipos de alvos além dos mísseis balísticos.
Ts O primeiro vôo do YAL-1 A ocorreu em julho de 2002, iniciando os testes de vôo para dar seqüência a os testes de todo o hardware do sistema. Foram instalados dois sistemas de iluminação a laser do alvo (TILL), fundamental para garantir a elevadíssima precisão necessária para que o feixe do laser foque no pequeno alvo que um míssil localizado a centenas de quilômetros representa. O TILL foi desenvolvido pela Raytheon, empresa conhecida por ser fabricantes de diversos sistemas de armas como mísseis ar ar norte americanos e por ser a empresa contratada pelo Brasil para fornecimento dos radares do sistema de vigilância da Amazônia (SIVAM). O sistema TILL emite múltiplos feixes laser de baixa freqüência para capturar a posição do míssil alvo e condições atmosféricas fornecendo os dados iniciais para serem processados no calculo para o disparo. Esse procedimento é seguido pelo uso de um sistema mais preciso chamado BILL que faz o calculo final do posicionamento do alvo e corrige as distorções atmosféricas que ocorrem devido a enorme distancia e variação de posição do míssil alvo. O sistema BILL também esta sendo fornecido pela Northrop Grumman, responsável pelo canhão de laser.
O canhão laser COIL foi projetado para disparar um feixe de laser com alcance de 600 km, porém esse desempenho ainda não foi obtido nos testes. O primeiro disparo do canhão COIL ocorreu em setembro de 2008, porém teve duração de menos de um segundo. No dia 11 de fevereiro de 2010, um míssil balístico de curto alcance foi destruido pelo laser do YAL-1 A sobre o campo de provas de Point Magu. O míssil foi lançado de uma posição no mar e na fase de aceleração foi acompanhado pelos sensores do YAL-1 e logo em seguida, foi destruído pelo disparo do laser, provando o conceito proposto pelo programa.
Acima: O desenvolvimento da tecnologia tem permitido um grande aumento da potencia dos raios laser, a ponto deles poderem ser usados com fins destrutivos, além de apenas iluminar alvos para armas guiadas.
NOVAS POSSIBILIDADES
A missão do YAL-1A é a de destruir mísseis balísticos táticos (TBM) em sua fase de aceleração, ou seja, logo após o lançamento, sendo que após essa fase, o sistema de aquisição de alvos e a conseqüente destruição do míssil se tornam impossível pelo YAL-1A, ficando a cargo dos mísseis de defesa antibalisticos, também em desenvolvimento. O YAL-1A opera a uma altitude de 12000 metros (40000 pés), em vôos de longa duração fazendo patrulha sobre as proximidades do campo de batalha ou do território inimigo. Na verdade o YAL-1A é apenas parte de toda uma rede de sistemas composto por diversos elementos como satélites espiões, aeronaves de reconhecimento e aeronaves de alerta antecipado AWACS. Estes sistemas todos são os primeiros a detectar a preparação do lançamento de um míssil inimigo, repassando os dados via data link (link 16) para o YAL-1A, que usa esses dados para se posicionar e preparar os parâmetros de interceptação do alvo que precisa ser feito em um tempo exato. Esse tempo é chamado de janela de ataque e é relativamente curto visto a elevada velocidade dos mísseis balísticos.
Acima: O Boeing 747 400F (YAL-1A) foi a melhor escolha para comportar os enormes sistemas que compõe o canhão laser COIL.
A possibilidade de se usar o sistema YAL-1A contra mísseis balísticos intercontinentais, também está sendo considerada, porém analistas observaram que pode ser muito perigoso executar esta missão, pois para se conseguir o disparo contra um míssil deste tipo na fase inicial do lançamento, seria necessário voar em território hostil, que representaria suicídio para uma aeronave como o YAL-1A, dado as capacidades antiaéreas atuais e futuras das nações usuárias desse tipo de armamento.
Durante o disparo do canhão laser, que dura entre 3 e 5 segundos, o feixe não destrói o míssil com uma explosão sensacional, como num filme de Hollywood, como se poderia imaginar. Na verdade o feixe aquece o míssil a ponto de causar uma falha na propulsão ou em seus sistemas eletrônicos e a conseqüente queda do míssil. O combustível transportado no YAL-1A para o canhão laser permite disparar 20 vezes. Existe, teoricamente, a chance do canhão laser poder ser usado contra alvos diferentes que mísseis balísticos, como um míssil de cruzeiro, um caça inimigo e mesmo satélites em órbita baixa. Porém como o sistema de aquisição de alvos não foi projetado para esse fim, e os testes ainda estarem no seu inicio, não se sabe ao certo o sucesso que um ataque contra esses tipos de alvos poderia ter. Mesmo assim é interessante considerar sobre a revolução na forma de se combater que poderia ocorrer caso se constate a possibilidade do YAL-1A poder ser usado contra esses tipos de alvos. No caso do combate aéreo, especificamente, o uso de um canhão laser com alcance de 600 km excede, com larga margem o alcance maximo de qualquer míssil ar ar, deixando os caças inimigos em situação extremamente vulnerável para serem destruídos por disparos de raios laser. Mesmo a capacidade de se usar o laser contra pequenos satélites pode arruinar a capacidade de inteligência do inimigo dificultando enormemente a capacidade de coleta de dados por parte de seus sistemas baseados no espaço.
Acima: Nesse infografico podemos ver os diversos componentes que compõe o sistema COIL de raio laser.
Mesmo com o custo estratosférico no desenvolvimento deste programa, e uma tendência de cortes no orçamento militar, levado a cabo pela administração Obama, devido a crise mundial e mudança no cenário internacional, parece que o programa YAL-1A deve ser levado até o fim. O programa só seria cancelado se houvesse uma seqüência muito grande de falhas ou problemas com o desempenho do sistema, o que, não parece ser o caso uma vez que o programa está indo muito bem, além de que a Boeing é uma excelente gerenciadora de complexos programas de defesa.
Acima: No dia 11 de fevereiro de 2010 o YAL-1A completou um importante etapa de seu desenvolvimento que foi a destruição do primeiro míssil balístico com seu laser. O teste foi seguido por mais 2 testes que foram igualmente bem sucedidos.
FICHA TECNICA
Velocidade máxima: 977 km/h
Velocidade de cruzeiro: 913 km/h
Autonomia: 6 horas
Propulsão: 4 motores General Electric CF-6-80C-2 com 28804 Kgf de empuxo cada
Comprimento: 70,6 m
Envergadura: 64,4 m
Altura: 19,4 m
Peso: 180000 kg (vazio)
Armamento: Um canhão laser de alta potencia COIL

ABAIXO PODEMOS VER UM TRECHO DO PROGRAMA "FUTURE WEAPONS" SOBRE O YAL-1A.

Fontes: Site Air Force technology. Boeing Company, Site Deagel, Livro Airborne Laser Edit: Basic Books; Robert W . Duffner, Site Global Security.

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